Marinha dos EUA destrói sete barcos iranianos em Ormuz enquanto Irã ataca navio sul-coreano e mira os Emirados

A segunda-feira marcou o confronto militar mais intenso desde o cessar-fogo de 8 de abril — o primeiro dia do Projeto Liberdade provocou uma resposta coordenada do Irã que arrastou países neutros para o conflito, disparou alertas de mísseis sobre Dubai e colocou a trágil trégua no limite do colapso.

A naval warship docked in New York harbor at sunset, reflecting stunning lights on the water.

O que aconteceu na segunda-feira

O primeiro dia completo do Projeto Liberdade — a iniciativa americana de escoltar navios comerciais presos no Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz — escalou imediatamente para confronto direto. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou uma resposta coordenada com mísseis de cruzeiro, drones e pequenas embarcações rápidas contra navios de guerra americanos e embarcações comerciais sob proteção dos EUA. As forças americanas responderam a todos os ataques.

O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA (CENTCOM), confirmou que helicópteros Apache e Seahawk destruíram seis pequenas embarcações iranianas que ameaçavam o tráfego comercial, e que as forças americanas interceptaram todos os mísseis e drones disparados tanto contra navios da Marinha quanto contra as embarcações protegidas. Trump publicou em seguida no Truth Social que o número total de barcos iranianos destruídos foi de sete.

“O Irã disparou contra Nações não envolvidas no movimento de navios do PROJETO LIBERDADE, incluindo um navio de carga sul-coreano. Derrubamos sete pequenos barcos, ou como gostam de chamá-los, barcos ‘rápidos’. É tudo o que lhes resta.”

— Presidente Donald Trump, Truth Social, 4 de maio de 2026

Navio sul-coreano atacado — incêndio na sala de máquinas

O incidente colateral mais grave do dia foi o ataque ao HMM Namu, um cargueiro de bandeira sul-coreana, atingido por forças da Guarda Revolucionária próximo à costa dos Emirados Árabes Unidos, provocando um incêndio na casa de máquinas. A tripulação foi dada como segura. O ataque ativou alertas de mísseis em Dubai e Sharjah, encerrados após a confirmação de que os projéteis haviam atingido o navio e não o território emiradense. Trump convocou a Coreia do Sul a se unir à missão: “Talvez seja hora de a Coreia do Sul vir se juntar à missão!”

Defesa aérea dos EAU ativada — 19 projéteis interceptados

O Irã também lançou uma salva de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones contra os Emirados Árabes Unidos — os primeiros ataques ao território emiradense desde o cessar-fogo de 8 de abril. O Ministério da Defesa dos EAU confirmou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram 12 mísseis balísticos, três mísseis de cruzeiro e quatro drones, resultando em três feridos leves. Se confirmado na totalidade, o ataque representa uma escalada significativa, já que os EAU haviam mantido postura de neutralidade cuidadosa ao longo de todo o conflito.

7

embarcações iranianas destruídas pelos EUA

19

projéteis iranianos interceptados pelos EAU

2

navios comerciais transitaram Ormuz pelo Projeto Liberdade

Irã nega, contesta e contradiz

A mídia estatal iraniana rejeitou múltiplos elementos da versão americana. A emissora estatal IRIB, citando a Guarda Revolucionária, negou que qualquer embarcação comercial tenha transitado pelo estreito sob o Projeto Liberdade, classificando as afirmações americanas como “infundadas e totalmente falsas.” O Irã também negou que qualquer um de seus barcos tenha sido afundado. Separadamente, um suposto aviso do chefe do Exército iraniano, General Amir Hatami — publicado no X e amplamente circulado — foi identificado pela agência semi-oficial Fars como proveniente de uma conta falsa, não do comando militar real.

Aviso de Trump — e um sinal diplomático

Em entrevista à Fox News, Trump fez sua ameaça mais dura até o momento, advertindo que as forças iranianas seriam “varridas da face da Terra” caso tentassem atacar navios americanos no estreito ou no Golfo Pérsico. Ao mesmo tempo, disse à emissora que os negociadores iranianos estavam se mostrando “muito mais maleáveis” do que antes, e indicou dois caminhos possíveis: um acordo de boa-fé ou a retomada das operações militares. O secretário do Tesouro Scott Bessent afirmou à Fox que os EUA têm “controle absoluto” do Estreito de Ormuz e classificou a Marinha iraniana como “uma banda de piratas.”

O cessar-fogo no limite

Os eventos desta segunda-feira representam o teste mais sério ao cessar-fogo desde sua entrada em vigor em 8 de abril. Trump havia informado ao Congresso na semana passada que as hostilidades entre as forças americanas e iranianas haviam “cessado” — citando ausência de troca de tiros desde 7 de abril. Essa afirmação agora colide diretamente com o confronto militar confirmado desta segunda-feira, mesmo que a Casa Branca enquadre os combates como ações defensivas no contexto do Projeto Liberdade e não como operações ofensivas contra o Irã.

Uma coletiva de imprensa do secretário de Defesa Pete Hegseth e do chefe do Estado-Maior Conjunto Dan Caine foi marcada para terça-feira de manhã — o sinal mais claro de que Washington considera necessário explicar formalmente o que ocorreu.

O que vem a seguir

A decisão do Irã de atacar um navio sul-coreano — país neutro sem envolvimento no conflito — e de disparar mísseis contra os Emirados amplia significativamente o escopo geográfico e diplomático da crise. Se qualquer um dos dois governos formalizar a atribuição dos ataques ao Irã e exigir responsabilização, as consequências diplomáticas podem se acelerar rapidamente. Os mercados de petróleo, que haviam dado sinais de alívio após a nova proposta de negociação iraniana na semana passada, aguardam a coletiva de Hegseth e Caine na terça-feira para avaliar se o Projeto Liberdade continua, pausa ou escala ainda mais.